sábado, 5 de março de 2011

RISCO DE MULHER

 
Um risco
E a vida...
Das entranhas de Evanira.

Um risco, 
um rabisco  na alma do criador.
Um traço desenhado e forjado 
em mãos de escultor.

Um risco...
Descobrir-se ávida em flor de emoção...
E em fruto de bem e mal arriscar-se
E ceder-se à tentação,
Tentação que marca e risca e cobre
o corpo, a alma e o coração.



Um risco, um traço
e a vida de novo em profusão
descobre-se de novo num abraço
em plena e nova e infinita subversão...

Flor das entranhas de Evanira:
Seu jardim agora é seu espaço...
Seu passo é música alta do seu compasso.
E  nos seus braços, todos os seus nós e os seus laços ...

O risco...Ou o rabisco?

E assim, das entranhas de Evanira
descobre-se então o milagre que traz à luz,
a fascinação que brinca de cor,
e a magia poderosa que cobre qualquer dor...
Das entranhas de Evanira
A MULHER e os seus riscos...
A mais misteriosa flor em alma de rabiscos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

AMAR-ELO

AMAR-ELO!

Alcançar felicidade enclausurada
em torre de castelo...
Sentir o céu
na ponta dos dedos
e tocar o firmamento
sob o olhar do sol e do medo,
vencido, enfim, pelo dom do 
teu encantamento.


Viver ardentemente
 de amarelo cintilante
e de olhar escaldante,
e em movimentos de raios convulsivos 
 aquecer vontades e magias,  
de vinhos, de amores e de fantasias.


Morar na tua casa-sorriso
de dourados radiantes
onde minha paz tem morada,
e no calor provocado assim
pela tua pele nua arrepiante,
onde meu corpo faz pousada...


Misto de insanidade
e decisão.
Sem exigências
ou explicação.


Tal qual borboleta agressiva
cedendo às maçãs douradas.
 E se faz viva
e se faz encantada.
E trai seus votos, 
e conhece o amor.
Amor de elo,
em pleno elo de  amor.


Conhece e vive enfim
o amor meu de amarelo,
o meu mistério mais belo...


AMAR-ELO...





segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AQUARELANDO ESTRELAS

Abriu as mãos...
A ventania espalhou o perfume
e a miscelânia colorida aquarelou estrelas.
E o amor foi poeira que sufocou respirares
e fez reluzir olhares.
Brilho intenso que contaminou
e nos cegou de encantares...
Encanto de céu brilhante
e corpo bailante,
de estrelas flutuantes em olhos
de marejar.
Estrelas de soprar, de guardar
e espalhar...
Para aquarelar o teu ficar,
e depois, num ritual de encantar
 recolher tudo de novo e pendurar
num fio bem estrelado e bem esticado
entre o meu céu e
a estrela mais linda de se namorar,
a estrela mais linda de se aquarelar:
simplesmente,
 o teu olhar...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

REVELAÇÃO DE NÓS

Contei segredos para os meus botões,
esparramei-os um a um em emoções.
As rendas transparentes do decote
desnudaram-me a alma
e revelaram-me os vermelhos todos
de pudores e amores...
Mas os segredos emaranhados
de mim foram-te afrontas...
Vieste, então, desfazer-me as tramas 
e ponto a ponto alinhavar-me 
entre teus escombros...
Enfeitar-te...
No início tive medo
depois comecei a sorrir
ante a aparição de todo dia...
Esperava...
Os laços de nós,
sem emaranhados ou nós.
Um dia bordou na pele, CUMPLICIDADE...
Não arrematou, virou FELICIDADE...
E ficamos assim, vestidos pra sempre
das revelações provocantes
de decotes e olhares...
E dos outros; os mal-falares:
de toda essa nossa estranha, profana 
e indecifrável LIBERDADE.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DO LADO DE CÁ...


Venha sempre.

Quando quiser.
Estude estrategicamente
meus traços-enigmas,
minhas letras-mistérios.
Decifra-me, se puder.
Mas, venha.
Sempre que quiser.
Há de encontrar-me
nas minhas palavras
vestidas de casa?
Ou estarei eu
no meu silêncio desalento?
Não. Não te iludas.
Nem aqui, nem lá...
O meu lugar, hoje,
é do lado de cá...
Onde, definitivamente,
a minha verdade está.
Não insistas em
Querer atravessar-me.
Só existe uma chave:
e ela é a minha arte...
Nela, dialeticamente,
nada se transpõe
exatamente
porque tudo se expõe...
Sem travas,
Nem trincos,
Nem tramelas...
Apenas venha.
E observa-me
pelas frestas das minhas janelas...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ADVIDA

Aflição...
Não sei bem por onde anda meu coração.
Embriagado ainda com a última canção?
Roo as unhas todas
e ensaio loucuras
perdida no horizonte do meu quarto.
Não sei bem se me arrependo
ou se me embriago e me farto.
Não sei se me protejo
ou se, de novo, me derramo e me reparto.
Só sei dos olhos...
Do atrevimento intolerável
e do charme infalível
que me convida.
Adivinha?
A brindar à vida,
a brincar de vida.
ADVIDA...
Então venha...
Seja bem-vinda...
Me faz criança outra vez
acolhida na insensatez...
E vivo...
Vivo  na constatação
da vida juntinha, agarrada ao coração.
Sou de novo menina
insensatamente descoberta
brincando de vida atrevida.
Mas venha...
Regado a vinho seco
ou suavemente eu
vira tudo do avesso
e  vem ser meu...
Vem,
e brindemos de novo...
E seja muito bem-vinda,
vida...
ADVIDA...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PROMESSA CÚMPLICE

A saudade ensaia seu destino,
Vela atrás das portas...
É sabor que atormenta os lábios,
Cheiro que  atormenta  o corpo.
O futuro me espreita a cada manhã.
São desejos que evocam imagens do passado,
cristalizadas ao sabor do tempo
que escorrem por entre os sonhos
de possuir-te que ainda não esqueci.
O efêmero converte-se em eterno.
Não apenas os sabores fulgazes
que saboreei no tempo exato
de cada estação
e que ainda recobrem meu corpo ávido
 e alma inquieta.
Não apenas os odores das frestas
dos meus encantamentos e assombros
que entorpecem todos os meus sentidos,
numa sinestesia mágica de prazer e dor..
Distraída e desassossegada
sonho-te meu,
agarrando-me às lembranças atrevidas:
audácia e prazer.
Sonho-te meu
no afã da promessa cúmplice
e dos enigmas alados da saudade
que ainda não desvendei.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Leia mais...