sábado, 31 de dezembro de 2011

NUANCES DE FIM


Dos rumores convictos,
os nuances de fim.  
Beleza, tragédia, melancolia.
Provocante...Misterioso... FIM.
E eu quero lembrar saudosa.
TUDO. 
E daí virar pássaro , avião.

Qualquer coisa assim
arrebenta dentro do meu coração.
Quero sentir o vento,
o amor, o prazer,
sentir culpa, pena, dó...
O pó e o suor misturados
virando pedra no sapato
e seta procurando alvo.
Eu quero embichecer,
qualquer bicho meio borboleta, meio lagarta,
que  teça acabamentos e arremates cintilantes, 
para quando a cortina se fechar
e a luz se apagar
eu exploda em luzes novas,
metamorfoseadas de MIM...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FALA...


O meu olhar dialoga...
Fala.
O que pensas e silencias
é faca de dois gumes.
Fere a retina
e distorce a visão...
Priva da plena contemplação
do reflexo um do outro
nos nossos olhos ávidos de paraísos...
Vem, fala...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

AVESSO


Do avesso comum-de-dois
O avesso incomum de nós.
Um eu só, do avesso afrontante.
A costura à mostra,
A etiqueta arrancada,
Tudo um tanto quanto deselegante.
Meu eu do avesso,
Com meus fins
e uns outros tantos afins,
E vou  indo nesse desalinho todo
com todos os meus assins...
Assins por diante...
Porquês provocantes...
Em cada avesso meu
Um jeito "desconsertante"
meio desregrado,
meio arrogante...
Como numa roda gigante...
As náuseas todas:
DO MEU AVESSO DE MIM...

domingo, 4 de setembro de 2011

SOBRE ONTEM

Dói o corpo
E a lembrança arde
Da tua boca na minha boca
E esse ontem cheiro teu.
Me vira do avesso
E vem ser meu.
Regado a vinho
Seco
Ou suavemente eu.
Me vira do avesso
E vem ser meu .
E bate...
Bate a hora
Que na hora errada vai...
Mas bate,
E me desabrocha outra vez.
Me vira do avesso
E vem ser meu...



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ESPECTADORA CÚMPLICE

Hoje,
quero chorar tranquila a brevidade da dor aborrecida.
Quero sentir meu ódio longe de ser traiçoeira.
Quero sangrar-me até esvaziar-me inteira,
e pálida de vazio, renovar-me de força estranha.
Quero pôr os meus pés no chão e caminhar,
até que tudo troque de lugar,
até que o amor novamente se cruze ao ódio,
e eu, de encanto, seja,
 sem drama,
uma dama que trama as teias da própria vida,
sem imobilidade entre o amor e o ódio...
Por isso, espectadora cúmplice de nós, de mim.
Quero a sinestésica magia dos sentidos,
vivos, resplandecentes,
que nunca cabem em mim...
Excedem.
Sobram demais.
Evadem-se dos meus contornos
para dissiparem-se ao redor...
Por isso posso reparti-los com você
Quando do meu eterno silêncio de mim...
Espectadora cúmplice...
Vi e vivi.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

MEIA MORTE


Metal perfurando tímpanos...
Som frio de relógio...
O tempo ensurdecendo
minha percepção ávida
noite afora...
Vai-se o tempo que pare agonia...
Nasce e vinga.
Vinga uma vingança fria, 
comida fria,
fria camuflagem de saudade.
Corrói vida em meia morte...
Ausência cintilante predadora de mim...
Saudade que vinga, que medra,
que brota das presas prenhas
de ser o outro lado
do lado prisão...
O lado ferida de coração,
tumor de alma, decomposição...
Brota do outro lado 
de ver liberdade e amplidão...
Meia vida. Solidão...
Meia morte...Por opção?

terça-feira, 26 de julho de 2011

ALUCINAÇÃO


Quando o dia desmaia
Meus olhos entorpecidos
Fazem motim contra a minha lucidez
E teimam em vislumbrar 
Oásis e desertos em fronteiras ...
Minhas mãos não alcançam...
Meus pés não saem do lugar...
E o meu desejo é germe
Que a alucinação multiplica...
Somem as forças.
Desmaio com o dia.
E a miragem do paraíso
Propaga-se num átimo de sonho.
E era uma imagem tão linda!

terça-feira, 19 de julho de 2011

SEGURANDO O TEMPO


Badaladas melancolicamente
ensurdecedoras...
E eu não sei se dormia ou acordava.
Segurei tempo nas mãos...
Quis multiplicar os átimos de segundo,
quis hipnotizar o tempo
com os olhos de ontem
para não perder-te no tempo...
As mãos confundiam-se aos ponteiros
e, trêmulas angustiadas,
arrancavam as engrenagens
num ímpeto de fúria e desespero...
O tempo não parou...
Nas minhas mãos,
o tempo rabiscado,
e as tuas...
Frias...
Eu não dormia mais...
Mas era um pesadelo.

domingo, 3 de julho de 2011

A PEDRA NOSSA DE CADA DIA

Não, ela não veio com a manhã.
Só a pedra veio.
E no espelho, olheiras eram abismos
que chamavam outros abismos
e outros, e outros...
E eu esperava num desespero superado.
De repente, uma pedrada na janela.
Presságio.
Estilhaços espalharam-me pelo chão.
Na cabeça e no peito,
o sangue e a dor  subitamente
desenhavam em espirais
teu perfil no meu delírio...
Escurecia tudo. De novo.
Seria noite de porão de alma?
Ou seria a alma com o medo de toda noite?
E a alegria? Não veio.
Viria com a manhã?
Ou o amanhã seria de novo
a surpresa da pedra nossa de cada dia?

terça-feira, 21 de junho de 2011

SÓIS NAS JANELAS


Desenhava sóis nas janelas
para enganar noites frias...
Esculpia sorrisos em papel machê
e pendurava-os em cantos de bocas...
Num ritual.
Discretamente,
esparramava seus paraísos por perto.
Perto. Não óbvios.
E sublinhava olhos de vê-los
com lápis de cor colorido
tal qual arco-íris de promessa,
que decifra enigmas.
E ventava esparramando
de presente o cheiro bom e incerto de futuro ...
O que passava, apagava...
Num ritual...
Não tinha tempo para ser triste.
Ser feliz lhe consumia o tempo de viver sua arte
de desenhar sóis nas janelas
para enganar as noites e os frios todos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

ARTE ÉBRIA

E assim, transformou
o impulso de querer demais em arte...
Tatuou marcas na pele
e carmim no peito
depois de esculpir 
contornos desenhados
minuciosamente à mão...
E viveu com o peito aberto
pra não explodir 
e espalhar seus exageros ...
E foi assim...
Misto ébrio de esculturas
De cores todas e artes mil...
E beirou o abismo breu
pela mania de céu anil ...
E foi assim...
Depois voou por aí
atropelando pássaros
em delírio de artista febril...

sábado, 28 de maio de 2011

ARTE E RASCUNHO

Bordaram-lhe lantejoulas
na face...
Faróis em tempos de viagens
por terras de encantar,
Terras proibidas de amar,
sob pena de morte
e fogo de inferno a atormentar...
Mas como só o que é ousado
torna-se  eterno,
ousei-me aos confins desse mistério.
Rabisquei em vais e vens
a  travessia dessa história
num misterioso segredar.
E de repente,
no traçado do meu chão
fez-se encruzilhada pro meu coração...
Juntos a se encontar,
NO TEMPO A ETERNIZAR...
o meu rascunho inacabado
e a arte que bordou o meu pecar...

sábado, 21 de maio de 2011

FESTA

Na tua festa, menina,
Eu danço de vestido rodado
Fazendo par com a vida...
Na tua festa, menina,
Eu sou bailarina valsando
Que rodopiou até aqui
Desenhando contornos
De felicidade pra você...
Na tua festa, menina,
Tem balão colorido
E lua cheia
Iluminando seus olhos
brilhantes de tanto ser...
Assim tão minha...
Assim, tão você...
E na minha festa, menina,
Tem você mulher
Descobrindo a vida...
Pra dançar com ela
De vestido rodado
E olhos de lua cheia...
Cheios de vida.
Da minha vida...
Só pra você...


                                                           Para a minha LUINHA CHEIA, MAYÃ, que hoje faz festa...

sábado, 14 de maio de 2011

ESQUECIMENTO

Noite escura, madrugada...
O tic-tac do relógio
É roleta russa brincando de agonia
Com o tempo incerto de te amar.
O nada insiste em acontecer,
A alma insiste em esquecer...
Mas as lembranças vêm
Em vultos fantasmagóricos
Perambulando pelo quarto
Que hora é cenário frio
Implorando aquecimento.
(Ou seria esquecimento?)
Travamos um duelo
E as armas são letais.
Minha agonia é não te alcançar.
De repente um grito surdo
Corta minha percepção adormecida.
E o despertador é tiro no escuro
Interrompendo pesadelo.
Havia um funeral...
E eu ainda não sei quem morreu:
Será que foi ele ?
Ou teria sido eu?

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE - MINHA FLOR-CADENTE

Em alquimia mágica
posso misturar lembranças perfumadas
e aconchego de presença cúmplice.
Posso desenhar força frágil
em mistério de flor
juntinho com brilho de estrela guia
cortando minha vida de norte a sul.

Flor de aromas todos,
que me fez  farejar cheiros de vida
intensa e forte.
Que me ensinou a  amar sem reservas,
o amor pleno e de verdade,
que me ensinou coragem
e decidida liberdade.

Estrela constante
em céu escuro de noite fria,
ou estreladinho de sorrisos seus.
Noites musicada de chinelo na mão
e avental todo sujo de ovo...



"Se eu pudesse,
eu queria outra vez mamãe..."

,,,Seu cheiro  e seu brilho quente,
MINHA FLOR-CADENTE.

Obrigada..Por me ensinar a VIDA e o AMOR
do seu jeitinho tão doce e tão decidido...
Obrigada...Por me ouvir, mesmo quando me reprova...
Obrigada...Por ser tão diferente e tão essencial...
Obrigada...Por não me julgar e por me aceitar do jeitinho que eu sou...

TE AMO, D. ENCRENQUINHA...
MINHA MÃE LINDONA,
MINHA FLORZINHA-CADENTE...

domingo, 1 de maio de 2011

DESENHO

Desenhei um meninozinho 
solto no meio da página,
Sem mais nada.
Tinha nome...
Tinha cor de olhos também....
Não sabia para onde ir.
Quis dar um mundo de sugestões e poesias,
Achei melhor o silêncio.
Que ele buscasse seus caminhos, 
pois teria sempre à sua disposição,
na página,
um considerável espaço em branco
para fazer seus apontamentos, 
suas escolhas
ou simplesmente desistir.
Em todo caso, estaria ali,
Atenta às idas e vindas,
e ao  meu reflexo em seu olhar de papel:
única pista sobre a concretude dessa ilusão.

Lendo Quintana e mandando a tristeza embora...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

MÚSICA DE MENINA

                   E lá vem ela outra vez...

...rasgando caixa frágil  de memórias,
brincando de roda,
cantando da infância as histórias.
Canta menina,
canta que eu ouço,
e te espero à noite no portão.
Canta a música de pai,
Canta o encanto feiticeiro de filha.
E embriagada dessa nostalgia
faz dormir a mulher que,
 assim embalada, desperta-se de novo em menina...
E ela brinca, e é dona de felicidades
Ouvindo e dançando a música
que despedaça e espalha
com seus passos
em mil compassos de ninar
por entre ouvidos descrentes de magias.
E o canto de pai,
namorado de portão,
que fazia da menina a mulher,
hoje traz
para a mulher, a menina,
que rodopia tresloucada de emoções
e sabe bem ouvir os recados desses barulhinhos
vindos de dentro de corações...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

METÁFORAS


Nos arredores das metáforas,
abismos polissêmicos
fervem provocações
atando nós e desenhando enigmas.



Obscuro escuro-claro
mar sinestésico.


A metáfora é a
meta do poeta...
É faca afiada
retalhando a razão
em pedaços azuis
de mar profundo 
e fim de céu vermelho estrelado...
Poesia  do avesso, marginal,
do avesso da alma
gritando evasão e exceção...

Metáfora exorcista...
Explode e remete
pra  fora
o do lado de dentro...
Pretensa intenção de revelar-se
em profusão de sentidos
as loucuras insondáveis:
provocações, nós e enigmas ...

Para minhas alunas do COC e amigas leitoras desse blog, Ana Laura e Alexandra...E para os meus amigos e blogueiros Sandro Ataliba e Thaís...
Ai as metáforas...

domingo, 10 de abril de 2011

FLOR MORENA


Flor morena,
Plantada em céu de boca,
Cheirando a jasmin...
Meia história do sem-fim,
De boca em tatuagem
E de marcas no corpo
Em rotas de labirintos
De saudade ou nunca mais.
Peco por quereres,
Imploro por poderes
E contemplo-te,
voando em outros jardins,
E chamo teu nome carmim.
Ardo em febre e sou delirante desassossego...
Visão onírica, helênica,
epopeia de mim
com heroína-deusa-humana
Exaltada em cantos e vitórias
De jardim secreto.
Saga e miragem particular,
Inatingível flor morena
Contada em versos de bocas...
Meu tormento de céu de jasmin.

terça-feira, 5 de abril de 2011

RAÍZES E ASAS


O vento na cortina
É um prenúncio
E o pretexto pra divagar
E juntar pensamentos
Numa ordinária rotina
Provocante e atrevida.
Lá fora,
O vento voa com as folhas
secas de outonos
brincando de ciranda
No terreiro.
Sendo, porque foi,
Em reverência
Ao que há de vir...
Raízes e asas,
Unindo o que passou
E o que há de  desvendar-se ainda...
Unindo o  aqui de dentro
Com o lá-de-fora-de-mim...
Extraordinária arte de juntar
o tempo em histórias
e poetar a vida em escrevências
Que me dão asas,
Porque me sei raízes...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MINHA TORRE DE BABEL

                     
 Seus olhos passeiam
pela minha Torre de Babel
Como num ritual.
Eles não me deixam certa.
Não. Não me deixam.
E dali, bordo meus desejos de amplidão,
Estendo as mãos,
E não são estrelas que eu toco,
Mas sinto ganas de alcançá-las.
É turbilhão que move meu centro,
Meu lado,
Meu meio e meu fim.

Sou processo
E na trajetória, devoro sonhos
E me agiganto alimentada.
Um dia desses,
desse meu terraço mito,
alcanço o meu lógico céu,
E os nossos olhos contemplarão
Lendária construção de vida,
Rastros bordados se alando
Por entre as estrelas
Das estradas que trilhei,
Até chegar aqui... .

sábado, 26 de março de 2011

INTRUSO


Intruso,
Invadiste meus sonhos à noite.

Prendeste meus cabelos molhados
com pirilampos iluminados
colhidos em relva orvalhada,
suor perfumado de possuir-te;
só para soltá-los depois...
Fitaste meus olhos, 
descortinando-me em completude
De noites de mar.
Com mãos e lábios.
Torturaste meu corpo...
E fui fada alada, sobrevoando mares,
alçando voos de prazer...
Voar?  Voei!
Loucuras de poeta.
Voei de braços dados com a brisa
Passeando por estradas de beira mar
até entrelaçar-me embaraçada no teu peito.
Num vai e vem de infinitudes,
ondas de esperas e aquarelas,
contei-te os segredos e os pecados:
a boca molhada encostada no teu ouvido,
sussurrando palavras de maré cheia,
sons distraídos de impudores e promessas.
Sonhar? Sonhei!
E agora, descanso sonhares
à sombra de minha poesia
e, volta e meia,
acordo com a boca cheia d'água
olhando teus olhos,
ao som do mar de noite
e aos sóis de sal e areia...

sábado, 19 de março de 2011

ESSÊNCIA DE MIM...

Alegria avermelhada de pôr-de-sol
em labirintos ritmados de ir e vir
depois de arder um dia mais...
Vez ou outra anoiteço,
sou caos inadequado.
Outras,
em amanhecimentos indomáveis,
novamente desperto
diluindo minhas essências
em nuvens aquareladas
de céu diverso e particularmente infinito.
Voar-te me enfeitiça.
Contemplar-te é assustadoramente descoberta
de que tudo que aqui cabe,
sem sobrar demais
ou apertar,
me aflige...
Vou colorir-te então,
para além horizonte
em arco-íris reticente,
exaustivamente sem fim,
nessas palavras-vestígios:
tempestiva essência de mim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

SERIA?


E dentro da minha alma, ainda,
a tua face silenciosa e séria
de riso áspero de fim de céu.
Seria mesmo uma mulher séria
cujas mazelas nunca mereceram perdão?
Ou seria uma mulher séria
que não teria mazelas
nem tão pouco ilusão?
Não ousarei julgar-te a sóbria solidão,
nem serei de ti sombra ou projeção.
Minha verdade é minha opção
E séria é a minha decidida fascinação,
de céu inteiro, de amplidão,
de riso solto em mar de constelação.
É essa minha alegria escandalosa
que vai por aí rabiscada
numa trilha de estrelas desenhadas
unindo versos 
em cordel de canção,
 Seria assim completo meu eu universo:
 Miscelânia séria de imensidão.

Para minha amiga Malu e minhas alunas e companheiras de Literatura da Pedagogia...Sérias?...

terça-feira, 8 de março de 2011

EM CANTOS...

Um canto quente
pra minha amplitude voraz.
Quero-me ostra inquieta
para transgredir-te secreta,
e que ninguém me encontre
antes do sempre acabar...

Um canto envolvente
pra bem alto escutar,
com voz forte e provocante
que cala medos e segredos
mas expõe  alma e olhar,
para atormentar-me os sentidos
e fazer-me versejar...

De canto embriagada
em cantos de segredar,
Eu, ostra inquieta e encantada
me escondo e me farto
permitindo-me desejar ...

sábado, 5 de março de 2011

RISCO DE MULHER

 
Um risco
E a vida...
Das entranhas de Evanira.

Um risco, 
um rabisco  na alma do criador.
Um traço desenhado e forjado 
em mãos de escultor.

Um risco...
Descobrir-se ávida em flor de emoção...
E em fruto de bem e mal arriscar-se
E ceder-se à tentação,
Tentação que marca e risca e cobre
o corpo, a alma e o coração.



Um risco, um traço
e a vida de novo em profusão
descobre-se de novo num abraço
em plena e nova e infinita subversão...

Flor das entranhas de Evanira:
Seu jardim agora é seu espaço...
Seu passo é música alta do seu compasso.
E  nos seus braços, todos os seus nós e os seus laços ...

O risco...Ou o rabisco?

E assim, das entranhas de Evanira
descobre-se então o milagre que traz à luz,
a fascinação que brinca de cor,
e a magia poderosa que cobre qualquer dor...
Das entranhas de Evanira
A MULHER e os seus riscos...
A mais misteriosa flor em alma de rabiscos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

AMAR-ELO

AMAR-ELO!

Alcançar felicidade enclausurada
em torre de castelo...
Sentir o céu
na ponta dos dedos
e tocar o firmamento
sob o olhar do sol e do medo,
vencido, enfim, pelo dom do 
teu encantamento.


Viver ardentemente
 de amarelo cintilante
e de olhar escaldante,
em movimentos de raios convulsivos 
 aquecer vontades e magias,  
de vinhos, de amores e de fantasias.


Morar na tua casa-sorriso
de dourados radiantes
onde minha paz tem morada,
e no calor provocado assim
pela tua pele nua arrepiante,
onde meu corpo faz pousada...


Misto de insanidade
e decisão.
Sem exigências
ou explicação.


Tal qual borboleta agressiva
cedendo às maçãs douradas.
 E se faz viva
e se faz encantada.
E trai seus votos, 
e conhece o amor.
Amor de elo,
em pleno elo de  amor.


Conhece e vive enfim
o amor meu de amarelo,
o meu mistério mais belo...


AMAR-ELO...





segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AQUARELANDO ESTRELAS

Abriu as mãos...
A ventania espalhou o perfume
e a miscelânia colorida aquarelou estrelas.
E o amor foi poeira que sufocou respirares
e fez reluzir olhares.
Brilho intenso que contaminou
e nos cegou de encantares...
Encanto de céu brilhante
e corpo bailante,
de estrelas flutuantes em olhos
de marejar.
Estrelas de soprar, de guardar
e espalhar...
Para aquarelar o teu ficar,
e depois, num ritual de encantar
 recolher tudo de novo e pendurar
num fio bem estrelado e bem esticado
entre o meu céu e
a estrela mais linda de se namorar,
a estrela mais linda de se aquarelar:
simplesmente,
 o teu olhar...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

REVELAÇÃO DE NÓS

Contei segredos para os meus botões,
esparramei-os um a um em emoções.
As rendas transparentes do decote
desnudaram-me a alma
e revelaram-me os vermelhos todos
de pudores e amores...
Mas os segredos emaranhados
de mim foram-te afrontas...
Vieste, então, desfazer-me as tramas 
e ponto a ponto alinhavar-me 
entre teus escombros...
Enfeitar-te...
No início tive medo
depois comecei a sorrir
ante a aparição de todo dia...
Esperava...
Os laços de nós,
sem emaranhados ou nós.
Um dia bordou na pele, CUMPLICIDADE...
Não arrematou, virou FELICIDADE...
E ficamos assim, vestidos pra sempre
das revelações provocantes
de decotes e olhares...
E dos outros; os mal-falares:
de toda essa nossa estranha, profana 
e indecifrável LIBERDADE.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DO LADO DE CÁ...


Venha sempre.

Quando quiser.
Estude estrategicamente
meus traços-enigmas,
minhas letras-mistérios.
Decifra-me, se puder.
Mas, venha.
Sempre que quiser.
Há de encontrar-me
nas minhas palavras
vestidas de casa?
Ou estarei eu
no meu silêncio desalento?
Não. Não te iludas.
Nem aqui, nem lá...
O meu lugar, hoje,
é do lado de cá...
Onde, definitivamente,
a minha verdade está.
Não insistas em
Querer atravessar-me.
Só existe uma chave:
e ela é a minha arte...
Nela, dialeticamente,
nada se transpõe
exatamente
porque tudo se expõe...
Sem travas,
Nem trincos,
Nem tramelas...
Apenas venha.
E observa-me
pelas frestas das minhas janelas...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ADVIDA

Aflição...
Não sei bem por onde anda meu coração.
Embriagado ainda com a última canção?
Roo as unhas todas
e ensaio loucuras
perdida no horizonte do meu quarto.
Não sei bem se me arrependo
ou se me embriago e me farto.
Não sei se me protejo
ou se, de novo, me derramo e me reparto.
Só sei dos olhos...
Do atrevimento intolerável
e do charme infalível
que me convida.
Adivinha?
A brindar à vida,
a brincar de vida.
ADVIDA...
Então venha...
Seja bem-vinda...
Me faz criança outra vez
acolhida na insensatez...
E vivo...
Vivo  na constatação
da vida juntinha, agarrada ao coração.
Sou de novo menina
insensatamente descoberta
brincando de vida atrevida.
Mas venha...
Regado a vinho seco
ou suavemente eu
vira tudo do avesso
e  vem ser meu...
Vem,
e brindemos de novo...
E seja muito bem-vinda,
vida...
ADVIDA...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PROMESSA CÚMPLICE

A saudade ensaia seu destino,
Vela atrás das portas...
É sabor que atormenta os lábios,
Cheiro que  atormenta  o corpo.
O futuro me espreita a cada manhã.
São desejos que evocam imagens do passado,
cristalizadas ao sabor do tempo
que escorrem por entre os sonhos
de possuir-te que ainda não esqueci.
O efêmero converte-se em eterno.
Não apenas os sabores fulgazes
que saboreei no tempo exato
de cada estação
e que ainda recobrem meu corpo ávido
 e alma inquieta.
Não apenas os odores das frestas
dos meus encantamentos e assombros
que entorpecem todos os meus sentidos,
numa sinestesia mágica de prazer e dor..
Distraída e desassossegada
sonho-te meu,
agarrando-me às lembranças atrevidas:
audácia e prazer.
Sonho-te meu
no afã da promessa cúmplice
e dos enigmas alados da saudade
que ainda não desvendei.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

TEMPO BREVE

O tempo é breve...
Mais breve é o tempo cúmplice
Do encontro do olhar.
Mais breve o tempo breve
Que vai crescendo
No tempo do nosso beijar,
No encontro dos corpos indomáveis,
Na ânsia do não findar.
Nem sei se faz sentido
Ou se pode explicar
Essa desordem do tempo breve
E da eternidade de  amar.
Achados e perdidos.
Alma prolongada de desejos,
De infinitudes e incompletudes
Ansiosas e efêmeras.
A dual delícia
Da busca pelo sempre
Que é nada
Perto da vontade de tudo.
Prolongo-me então em sentir apenas,
Sem mediocridades a rondar,
Só a beleza insuportável e indescritível,
A esplêndida sensação contínua,
Da brevidade que se repete
Eternamente no desejo
De começar de novo o bom da vida.
Se breve for então,
Que seja instante por instante,
Na eterna encantação de amar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CONTENTEZA


Belo dia
a meninazinha apareceu...
Não fez charme, não fez drama,
foi devagar tecendo sua trama.
Foi charme atrevido
bem tramado e enredado,
e sem se fazer de rogado
foi ficando embaraçado.
Foi chamego caprichado,
o beijo pra lá de adoçado
o abraço bem apertado
e o amor bem caprichado.
Era improviso no olhar,
no toque de arrepiar,
nas palavras cochichadas
nos ouvidos bem pegadas...
E de espantos a encantos
essa menina encantada
com sua vozinha de mar
sempre sussurrava devagar:
"Menino, menino,
minha contenteza é o teu olhar...
De dengo desmanchando
juntou olhar, falar e tocar
e bem depressa respondeu:
"Vem, me dá logo o teu contente, menina,
que eu também te dou o meu..."
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