sábado, 28 de maio de 2011

ARTE E RASCUNHO

Bordaram-lhe lantejoulas
na face...
Faróis em tempos de viagens
por terras de encantar,
Terras proibidas de amar,
sob pena de morte
e fogo de inferno a atormentar...
Mas como só o que é ousado
torna-se  eterno,
ousei-me aos confins desse mistério.
Rabisquei em vais e vens
a  travessia dessa história
num misterioso segredar.
E de repente,
no traçado do meu chão
fez-se encruzilhada pro meu coração...
Juntos a se encontar,
NO TEMPO A ETERNIZAR...
o meu rascunho inacabado
e a arte que bordou o meu pecar...

sábado, 21 de maio de 2011

FESTA

Na tua festa, menina,
Eu danço de vestido rodado
Fazendo par com a vida...
Na tua festa, menina,
Eu sou bailarina valsando
Que rodopiou até aqui
Desenhando contornos
De felicidade pra você...
Na tua festa, menina,
Tem balão colorido
E lua cheia
Iluminando seus olhos
brilhantes de tanto ser...
Assim tão minha...
Assim, tão você...
E na minha festa, menina,
Tem você mulher
Descobrindo a vida...
Pra dançar com ela
De vestido rodado
E olhos de lua cheia...
Cheios de vida.
Da minha vida...
Só pra você...


                                                           Para a minha LUINHA CHEIA, MAYÃ, que hoje faz festa...

sábado, 14 de maio de 2011

ESQUECIMENTO

Noite escura, madrugada...
O tic-tac do relógio
É roleta russa brincando de agonia
Com o tempo incerto de te amar.
O nada insiste em acontecer,
A alma insiste em esquecer...
Mas as lembranças vêm
Em vultos fantasmagóricos
Perambulando pelo quarto
Que hora é cenário frio
Implorando aquecimento.
(Ou seria esquecimento?)
Travamos um duelo
E as armas são letais.
Minha agonia é não te alcançar.
De repente um grito surdo
Corta minha percepção adormecida.
E o despertador é tiro no escuro
Interrompendo pesadelo.
Havia um funeral...
E eu ainda não sei quem morreu:
Será que foi ele ?
Ou teria sido eu?

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE - MINHA FLOR-CADENTE

Em alquimia mágica
posso misturar lembranças perfumadas
e aconchego de presença cúmplice.
Posso desenhar força frágil
em mistério de flor
juntinho com brilho de estrela guia
cortando minha vida de norte a sul.

Flor de aromas todos,
que me fez  farejar cheiros de vida
intensa e forte.
Que me ensinou a  amar sem reservas,
o amor pleno e de verdade,
que me ensinou coragem
e decidida liberdade.

Estrela constante
em céu escuro de noite fria,
ou estreladinho de sorrisos seus.
Noites musicada de chinelo na mão
e avental todo sujo de ovo...



"Se eu pudesse,
eu queria outra vez mamãe..."

,,,Seu cheiro  e seu brilho quente,
MINHA FLOR-CADENTE.

Obrigada..Por me ensinar a VIDA e o AMOR
do seu jeitinho tão doce e tão decidido...
Obrigada...Por me ouvir, mesmo quando me reprova...
Obrigada...Por ser tão diferente e tão essencial...
Obrigada...Por não me julgar e por me aceitar do jeitinho que eu sou...

TE AMO, D. ENCRENQUINHA...
MINHA MÃE LINDONA,
MINHA FLORZINHA-CADENTE...

domingo, 1 de maio de 2011

DESENHO

Desenhei um meninozinho 
solto no meio da página,
Sem mais nada.
Tinha nome...
Tinha cor de olhos também....
Não sabia para onde ir.
Quis dar um mundo de sugestões e poesias,
Achei melhor o silêncio.
Que ele buscasse seus caminhos, 
pois teria sempre à sua disposição,
na página,
um considerável espaço em branco
para fazer seus apontamentos, 
suas escolhas
ou simplesmente desistir.
Em todo caso, estaria ali,
Atenta às idas e vindas,
e ao  meu reflexo em seu olhar de papel:
única pista sobre a concretude dessa ilusão.

Lendo Quintana e mandando a tristeza embora...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

MÚSICA DE MENINA

                   E lá vem ela outra vez...

...rasgando caixa frágil  de memórias,
brincando de roda,
cantando da infância as histórias.
Canta menina,
canta que eu ouço,
e te espero à noite no portão.
Canta a música de pai,
Canta o encanto feiticeiro de filha.
E embriagada dessa nostalgia
faz dormir a mulher que,
 assim embalada, desperta-se de novo em menina...
E ela brinca, e é dona de felicidades
Ouvindo e dançando a música
que despedaça e espalha
com seus passos
em mil compassos de ninar
por entre ouvidos descrentes de magias.
E o canto de pai,
namorado de portão,
que fazia da menina a mulher,
hoje traz
para a mulher, a menina,
que rodopia tresloucada de emoções
e sabe bem ouvir os recados desses barulhinhos
vindos de dentro de corações...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

METÁFORAS


Nos arredores das metáforas,
abismos polissêmicos
fervem provocações
atando nós e desenhando enigmas.



Obscuro escuro-claro
mar sinestésico.


A metáfora é a
meta do poeta...
É faca afiada
retalhando a razão
em pedaços azuis
de mar profundo 
e fim de céu vermelho estrelado...
Poesia  do avesso, marginal,
do avesso da alma
gritando evasão e exceção...

Metáfora exorcista...
Explode e remete
pra  fora
o do lado de dentro...
Pretensa intenção de revelar-se
em profusão de sentidos
as loucuras insondáveis:
provocações, nós e enigmas ...

Para minhas alunas do COC e amigas leitoras desse blog, Ana Laura e Alexandra...E para os meus amigos e blogueiros Sandro Ataliba e Thaís...
Ai as metáforas...
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