CHAMAS:
Beco. Sem saída...
"Mãos na parede.
Você está presa."
E suas mãos me revistam,
e me reviram.
E seus olhos fuzilam os meus...
E cega, minhas mãos buscam, tateiam,
E se agarram, e,
desafiando as leis da física,
instintivamente nossos corpos
ocupam o mesmo lugar no espaço,
pequeno, frio, sem saída.
E num ímpeto,
minha voz CHAMA seu nome
num delírio onírico...
E acordo.
Um sonho...
Desses de uma noite de verão,
quando tudo , literalmente,
queima em CHAMAS...
sábado, 5 de janeiro de 2013
sábado, 18 de agosto de 2012
ATROPELANDO PÁSSAROS
o impulso de querer voar em arte...
Tatuou marcas na pele
e carmim no peito
depois de esculpir
contornos desenhados
minuciosamente à mão...
E viveu com o peito aberto
pra não explodir
e espalhar seus exageros ...
E foi assim...
Misto ébrio de esculturas
De cores todas e artes mil...
E beirou o abismo breu
pela mania de céu de anil ...
E foi assim...
Depois saiu por aí
atropelando pássaros
em delírio de artista febril...
segunda-feira, 2 de julho de 2012
ESTIO
Quero estiagem interrompida,
Tempestade louca no deserto...
Mas sou covardia de seca no sertão,
Provocando morte no meu coração.
Sou falência múltipla de sonhos,
amnésia de solidão,
sou caos e embaraço,
sou dúvida e indecisão...
Sou vontade escancarada
depois perda e frustração...
Sou nada,
sou solo seco...
Incerteza, sou solidão...
sábado, 28 de abril de 2012
PALAVRA PROFANADA
Espelho
quebrado
Em mil
reflexos ,
Distorcendo a
visão míope
Do que já não
era certeza.
Não sei se
vejo,
Se vejo não
sei...
Caminho
ofuscada
Pela palavra
profanada
Que um dia
fizemos nascer,
Parida na
mentira de mãos e olhos
E do som da
voz de promessa
Da voz cúmplice sacramentada em nós...
Segredável...
Aqui,
Jaz a poesia
da promessa imaculada...
Não sei se
tenho...
Se tenho não
sei.
sábado, 31 de dezembro de 2011
NUANCES DE FIM

Dos rumores convictos,
os nuances de fim.
Beleza, tragédia, melancolia.
Provocante...Misterioso... FIM.
E eu quero lembrar saudosa.
TUDO.
E daí virar pássaro , avião.
Qualquer coisa assim
arrebenta dentro do meu coração.
Quero sentir o vento,
o amor, o prazer,
sentir culpa, pena, dó...
O pó e o suor misturados
virando pedra no sapato
e seta procurando alvo.
Eu quero embichecer,
qualquer bicho meio borboleta, meio lagarta,
que teça acabamentos e arremates cintilantes,
para quando a cortina se fechar
e a luz se apagar
eu exploda em luzes novas,
metamorfoseadas de MIM...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
FALA...
Fala.
O que pensas e silencias
é faca de dois gumes.
Fere a retina
e distorce a visão...
Priva da plena contemplação
do reflexo um do outro
nos nossos olhos ávidos de paraísos...
Vem, fala...
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
AVESSO

Do avesso comum-de-dois
O avesso incomum de nós.
Um eu só, do avesso afrontante.
A costura à mostra,
A etiqueta arrancada,
Tudo um tanto quanto deselegante.
Meu eu do avesso,
Com meus fins
e uns outros tantos afins,
E vou indo nesse desalinho todo
com todos os meus assins...
Assins por diante...
Porquês provocantes...
Em cada avesso meu
Um jeito "desconsertante"
meio desregrado,
meio arrogante...
Como numa roda gigante...
As náuseas todas:
DO MEU AVESSO DE MIM...
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Contei segredos para os meus botões, esparramei-os um a um em emoções. As rendas transparentes do decote desnudaram-me a alma e revelaram-me...


