Mais breve é o tempo cúmplice
Do encontro do olhar.
Mais breve o tempo breve
Que vai crescendo
No tempo do nosso beijar,
No encontro dos corpos indomáveis,
Na ânsia do não findar.
Nem sei se faz sentido
Ou se pode explicar
Essa desordem do tempo breve
E da eternidade de amar.
Achados e perdidos.
Alma prolongada de desejos,
De infinitudes e incompletudes
Ansiosas e efêmeras.
A dual delícia
Da busca pelo sempre
Que é nada
Perto da vontade de tudo.
Prolongo-me então em sentir apenas,
Sem mediocridades a rondar,
Só a beleza insuportável e indescritível,
A esplêndida sensação contínua,
Da brevidade que se repete
Eternamente no desejo
De começar de novo o bom da vida.
Se breve for então,
Que seja instante por instante,
Na eterna encantação de amar.






