segunda-feira, 28 de novembro de 2011

AVESSO


Do avesso comum-de-dois
O avesso incomum de nós.
Um eu só, do avesso afrontante.
A costura à mostra,
A etiqueta arrancada,
Tudo um tanto quanto deselegante.
Meu eu do avesso,
Com meus fins
e uns outros tantos afins,
E vou  indo nesse desalinho todo
com todos os meus assins...
Assins por diante...
Porquês provocantes...
Em cada avesso meu
Um jeito "desconsertante"
meio desregrado,
meio arrogante...
Como numa roda gigante...
As náuseas todas:
DO MEU AVESSO DE MIM...

domingo, 4 de setembro de 2011

SOBRE ONTEM

Dói o corpo
E a lembrança arde
Da tua boca na minha boca
E esse ontem cheiro teu.
Me vira do avesso
E vem ser meu.
Regado a vinho
Seco
Ou suavemente eu.
Me vira do avesso
E vem ser meu .
E bate...
Bate a hora
Que na hora errada vai...
Mas bate,
E me desabrocha outra vez.
Me vira do avesso
E vem ser meu...



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ESPECTADORA CÚMPLICE

Hoje,
quero chorar tranquila a brevidade da dor aborrecida.
Quero sentir meu ódio longe de ser traiçoeira.
Quero sangrar-me até esvaziar-me inteira,
e pálida de vazio, renovar-me de força estranha.
Quero pôr os meus pés no chão e caminhar,
até que tudo troque de lugar,
até que o amor novamente se cruze ao ódio,
e eu, de encanto, seja,
 sem drama,
uma dama que trama as teias da própria vida,
sem imobilidade entre o amor e o ódio...
Por isso, espectadora cúmplice de nós, de mim.
Quero a sinestésica magia dos sentidos,
vivos, resplandecentes,
que nunca cabem em mim...
Excedem.
Sobram demais.
Evadem-se dos meus contornos
para dissiparem-se ao redor...
Por isso posso reparti-los com você
Quando do meu eterno silêncio de mim...
Espectadora cúmplice...
Vi e vivi.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

MEIA MORTE


Metal perfurando tímpanos...
Som frio de relógio...
O tempo ensurdecendo
minha percepção ávida
noite afora...
Vai-se o tempo que pare agonia...
Nasce e vinga.
Vinga uma vingança fria, 
comida fria,
fria camuflagem de saudade.
Corrói vida em meia morte...
Ausência cintilante predadora de mim...
Saudade que vinga, que medra,
que brota das presas prenhas
de ser o outro lado
do lado prisão...
O lado ferida de coração,
tumor de alma, decomposição...
Brota do outro lado 
de ver liberdade e amplidão...
Meia vida. Solidão...
Meia morte...Por opção?

terça-feira, 26 de julho de 2011

ALUCINAÇÃO


Quando o dia desmaia
Meus olhos entorpecidos
Fazem motim contra a minha lucidez
E teimam em vislumbrar 
Oásis e desertos em fronteiras ...
Minhas mãos não alcançam...
Meus pés não saem do lugar...
E o meu desejo é germe
Que a alucinação multiplica...
Somem as forças.
Desmaio com o dia.
E a miragem do paraíso
Propaga-se num átimo de sonho.
E era uma imagem tão linda!

terça-feira, 19 de julho de 2011

SEGURANDO O TEMPO


Badaladas melancolicamente
ensurdecedoras...
E eu não sei se dormia ou acordava.
Segurei tempo nas mãos...
Quis multiplicar os átimos de segundo,
quis hipnotizar o tempo
com os olhos de ontem
para não perder-te no tempo...
As mãos confundiam-se aos ponteiros
e, trêmulas angustiadas,
arrancavam as engrenagens
num ímpeto de fúria e desespero...
O tempo não parou...
Nas minhas mãos,
o tempo rabiscado,
e as tuas...
Frias...
Eu não dormia mais...
Mas era um pesadelo.
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